Paixão e o sofrimento andam sempre de mãos dadas

Na paixão nos sentimos mais vivos, diante de sentimentos que não conseguimos explicar. Na vida e na profissão que tenho como psicanalista especializado em relacionamentos, já escutei e continuo escutando muitas histórias de paixões, quase todas bastante carregadas de intensa emoção e ansiedade. Aliás, a paixão tem dois significados: a admiração e a atração intensa por alguém e também todos os tormentos sofridos por Jesus Cristo antes de ser crucificado. Dificilmente a paixão acontece de ambas as partes, no geral é unidirecional, pois se trata de pura projeção de um ideal distante do que a outra pessoa realmente é ou pode oferecer. Você deseja ardentemente que o outro se interesse por você tanto quanto você está interessado nele, e como isso não ocorre, você sofre, trazendo à tona o temido sentimento de rejeição que estava quieto dentro de você. Por isso a paixão e o sofrimento andam de mãos dadas. Com a experiência da vida, relacionando-se, e com um bom trabalho de autoconhecimento, a tendência é que nos apaixonemos menos, pois compreendemos que as respostas que tano procuramos para a vida estão dentro de nós mesmos. Os outros são apenas espelhos que nos ajudam a nos ver melhor. Isso não quer dizer que você não pode ter uma vida apaixonada e cheia de graça, mas aprende a fazê-lo com mais inteligência emocional.
Sergio Savian – psicanalista clínico especializado em relacionamentos

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