Na contramão da insensibilidade

Só agora vi o filme AQUARIUS, que me fez pensar sobre o passado e o presente, sobre a memória destruída pelos avanços tecnológicos. O cenário é a Recife, PE.
Eu, que conheço muitas das cidades nordestinas desde a década de 70, vi sua transformação. Do que era artesanal e sublime , pouco sobrou. No lugar das rendeiras, dos coqueiros, do povo gentil, você encontra hoje edifícios modernos e todos iguais. A comida caseira foi substituída pelos MacDonals e Subways. Da gentileza à criminalidade. Tudo mudou.
Eu, que vivi minha juventude na década de 70, vejo a liberdade ser substituída pelo excessivo controle das câmeras, pelo controle de uns pelos outros, pela vaidade excessiva, comportamentos massificados. Poucos sabem de si. Falta reflexão. O mundo se tornou materialista ao extremo. A poesia e a melodia das canções foram substituídas pela pressa, pelo funk grosseiro, pelas pancadões barulhentos dos bairros. O encontro amoroso foi substituído pelo sexo banal.
As mudanças parecem irreversíveis. Mais quantidade e menos qualidade. Regressão da consciência. Os poderosos avançam a qualquer custo, destruindo o que não interessa ao seus interesses próprios. O coletivo que se dane.
O filme é apenas uma denúncia, uma denúncia indignada. Do câncer que toma conta de nossas cidades. O câncer de um crescimento urbano a qualquer custo, que nos deixa enfermos. Doentes no amor, na amizade, na solidariedade, na compaixão, nos vínculos afetivos.
Minha única esperança é que cresça o número de pessoas que andem na contramão de tanta insensibilidade. Meu convite é que façamos parte deste grupo.
Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos
(agende uma consulta presencial ou à distância; participe do Seminário sobre o Amor)

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