FOI CRIADO UM SITE QUE TERCEIRIZA AS SEPARAÇÕES!

O que você acha disso?
Entrevista de Sergio Savian* pata o Jornal da BAND – TV BANDEIRATES

Na Austrália foi criado um serviço que cuida de um assunto bastante íntimo das pessoas: a separação. Trata-se na verdade de uma empresa que tereceiriza o final dos relacionamentos. Funciona assim: você não quer passar pela desagradável situação do papo final tão chato para todos. A empresa trata então de enviar uma e-mail ou mesmo um profissional à casa do seu companheiro, comunicando que você não quer mais estar com ele.
Isso dá o que pensar. Parece que ninguém mais quer passar por nenhum sentimento desagradável, nenhuma dor. Mas isto é inevitável, pois, mais cedo ou mais tarde a dor baterá em sua porta novamente, pois faz parte de nossa existência.
Na separação costuma aparecer o lado sombra de cada um. Diante da dor da perda, cada um reage de uma forma.  Alguns pensam em se matar, outros em agredir ou até eliminar o outro. Muitos pensam em vingança. E não é nada fácil lidar com estas emoções negativas.
Faz parte do mundo civilizado conter nosso lado mais natural, espontâneo, e nos comportarmos de forma politicamente correta. O problema é que os sentimentos recalcados são escondidos em nosso inconsciente e tendem a se manifestar de uma forma não muito clara, quer seja por doenças psicossomáticas, quer seja por comportamentos neuróticos ou até mesmo psicóticos.
Pessoas muito contidas em suas emoções têm dentro de si verdadeiras bombas prestes a explodir a qualquer momento.
Do jeito que estamos vivendo, queremos nos desviar do que é desagradável, do que é complicado, do que exige esforço e consciência. É assim que estamos terceirizando o nascimento, que ao invés de ser natural, é feito por cesarianas. Terceirizamos a amamentação, que substitui o peito pela mamadeira. Terceirizamos a educação dos filhos, colocando-os desde cedo em escolas, enquanto trabalhamos. Terceirizamos o convívio com os filhos colocando-os em frente à TV ou ao computador. Terceirizamos a paquera, brincando de nos relacionar nas redes sociais. Trocamos o contato cara a cara pelo Whatsapp. Acreditamos que uma agência de matrimônio poderá nos apresentar o par perfeito. Terceirizamos nossa saúde, acreditando que alguém, além de nós mesmos, é responsável por ela.
Desviamo-nos da vida íntegra, fragmentando-nos.
E agora essa: vamos terceirizar o término dos relacionamentos.
Mas, com tudo isso, que tipo de pessoas estamos nos tornando? Seres superficiais, fracos e burros emocionalmente.
E quando estivermos diante da morte, o que faremos? Quem vai morrer por nós? Aí você terá que encarar a dor que nunca encarou em vida. E talvez por isso, viverá o terror de quem está totalmente despreparado para as questões mais importantes da vida.  

*Sergio Savian é psicanalista clínico, especializado em relacionamentos. Saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosavian.com.br