Como lidar com o ciúme manifesto?

Entrevista de Sergio Savian* para o Jornal A tribuna de Santos

1. No verão, as pessoas parecem ficar mais soltas, bebem mais, exibem os corpos bronzeados… e o ciúme pode aumentar. Você ouve no seu consultório muitas histórias de ciúme relacionadas a essa época do ano?
O ciumento fica mais saliente ao pensar que pode perder seu parceiro . Na verdade, este  é um sentimento que envolve sempre uma terceira pessoa, quer seja real ou imaginária, que ameace a estabilidade do casal. Muitas vezes, trata-se de um delírio, pois nada ocorreu de fato que justificasse o ataque de ciúme. Praia, pouca roupa, balada, internet, tudo isso cria uma atmosfera propícia para que a neurose se manifeste. 

2. Fazer cena de ciúme em público, dando uma “chamada” no parceiro mostra que a pessoa está colocando um limite, ou é significa descontrole emocional?
O ciumento atacado assemelha-se a um animal que briga para defender seu território. Ele imagina que tem a posse do outro e faz questão de deixar isso muito claro. Manifestações públicas de ciúme costumam ser bem constrangedoras e criam um clima muito ruim. Você pode provocar vergonha e até medo em seu parceiro, mas isso não significa que, desta forma, está construindo uma relação saudável.  A boa relação deve ser baseada na confiança e na aceitação do outro, permitindo que cada um amadureça de acordo com seu próprio timing e não por qualquer imposição. 

3. Como a pessoa pode saber se o ciúme dela é exagerado?
O ciúme é exagerado quando você fica obcecado, quando não para de pensar em traição, quando entra em estado de paranóia e passa a infernizar a vida do companheiro. A origem do ciúme está na formação da personalidade da pessoa que se tornou neurótica com este assunto. 

4. E como o parceiro de alguém ciumento pode lidar? Dá para diminuir o ciúme da pessoa amada para o relacionamento não acabar?
Se você tem um parceiro muito ciumento, não se deixe dominar por ele. Toda vez que você sentir que alguém está sendo destrutivo, imediatamente afaste-se dele. Não há nenhuma necessidade de condená-lo. Simplesmente diga: “Neste momento não temos que ficar juntos”. Nem perca seu tempo e não tenha expectativas de que ele vai mudar e tudo vai ficar bem. Simplesmente deixe-o sozinho com sua neurose. Aliás, o ideal é que ele procure uma boa terapia! Você não pode fazer nada por isso.

*Sergio Savian é psicanalista especializado em relacionamentos. Saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosavian.com.br