Cada um por si e todo mundo só

Uma cena patética com a qual nos acostumamos são pessoas totalmente focadas em seus aparelhos celulares, caminhando feito loucas, falando sozinhas, desconectadas do que está à sua frente. Qualquer pokemon é mais importante que os seres humanos ao seu lado. Estão presas ao buraco negro virtual que não permite estabelecer relações reais, cara a cara. A cultura narcisista de cada um por si, promove a ideia que nos bastamos e não precisamos dos outros. É muito informação e pouco aprofundamento, pouco amor. Narciso ficou embebedado com sua própria imagem no lago e os narcisos de plantão estão apaixonados por suas poses, caras e bocas na internet. É certo que as comunicações estão cada vez melhores, mas, as relações se tornam extremamente superficiais. Será que é possível compreender o que está acontecendo entre duas pessoas nas poucas linhas do Whatsapp? Você não vê o que os olhos expressam, não observa a atitude corporal, nem sempre ouve a entonação do que se diz. Nunca se mentiu tanto. Você diz uma coisa enquanto está fazendo outra. Produto disso são sentimentos desconectados, a sensação de vazio e isolamento. Nos misturamos com as máquinas e nos tornando parecidos com elas. Sobra uma enorme frustração que só será resolvida quando entendermos que somos feitos de carne, osso, coração, olhos, ouvidos, pele, sentimentos e uma alma que clama por sua presença.
Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos
(agende uma consulta presencial ou à distância)

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